sábado, 17 de janeiro de 2015




óleo s/tela Emília Matos e Silva (colecção particular)


Quem quer que sejas tu, que neste abrigo
Vieste em hora mansa hoje parar,
Feliz! Vens encontrar aqui contigo
Os tesouros que andaste a procurar.

Vens encontrar, sob o silêncio amigo,
A paz do ouvido e a glória do olhar.
E até, quem sabe? Aquele beijo antigo
Que há muito tempo não sabias dar.

Vens encontrar, (é tarde? Não importa),
Um bem que passou à tua porta.
Um grande amor, nem tu soubeste a quem.

E vens, (tanta riqueza em toda a parte),
Vens a ti mesmo, atónito, encontrar-te.
És um poeta, e nunca o viste bem.....


Soneto de Nunes Claro publicado no livro " Na Cinza das Horas".

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